• Tamanho da Letra

  • Versão para imprimir

  • Enviar para um amigo

NOTICIAS / Desenvolvimento Rural sustentável

08.02.2017

Nuvem de agrotóxicos e outros desafios da agroecologia são apresentados aos agricultores da BP3

 
Se na década de 1980 o ataque de gafanhotos em massa era difundido pela TVs e gerava temor entre os agricultores, hoje um outro tipo de nuvem preocupa os produtores agroecológicos do Oeste paranaense. A deriva de agrotóxicos de propriedades vizinhas é um dos principais desafios para os produtores, segundo diagnóstico da rede de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) da Bacia do Paraná 3. "Essa nuvem acabam atravessando uma área para outra", explica Ronaldo Pavlak, engenheiro agrônomo da Itaipu Binacional, que atua com a rede, por meio do Programa Cultivando Água Boa.
 
 
Parte do estudo foi apresentado pelo diretor de Coordenação de Itaipu, Nelton Friedrich, no auditório do Salão Tecnológico Pecuário, durante reunião que antecedeu o lançamento da Cartilha da Vitrine Tecnológica de Agroecologia nessa terça-feira (7), no Show Rural Coopavel, em Cascavel. Pelo menos uma centena de pessoas acompanhou a apresentação, momento que também serviu para a celebração de parcerias entre as instituições que atuam de forma articulada em benefício da agroecologia na BP3.
 
A contaminação indireta de agrotóxicos, citada por Ronaldo Pavlak, é uma dificuldade enfrentada no cotidiano da produtora rural Ivane Spagnol Zanon. “Meus vizinhos, dos quatros lados, fazem uso de agrotóxico. O vento acaba trazendo para a nossa propriedade. É um desafio que temos enfrentado”, afirmou.
 
No evento, foram mostrados outros entraves, como as dificuldades que os pequenos produtores ainda encontram na comercialização, mas também apresentados avanços dos últimos anos, como o aumento no associativismo, da variedade de produtos cultivada e comercializada e, principalmente, do número de agroindústrias familiares. "Em 2015, diagnosticamos 30 agroindústrias familiares. Agora, neste diagnóstico, encontramos 124", celebra Nelton Friedrich. Entre elas, está a agroindústria de Ivane Zanon, dos Produtos Dani, que passou a transformar sua colheita em geleias artesanais, apesar dos percalços. “O que eu posso fazer para melhorar, eu faço”, afirma.
 
No encontro, também foi anunciada a ampliação do convênio de Itaipu com o Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (Capa) para o trabalho de Ater nos assentamentos de reforma agrária. Com a medida, 400 novas famílias assentadas serão atendidas em oito cidades da BP3. “É mais um passo na nossa caminhada. Isso dará um impulso na área dos assentamentos”, comemora o coordenador do Capa, Vilmar Saar. “Itaipu acabou se transformando em um agente de desenvolvimento regional e de inclusão social”, disse Nelton Friedrich, que conclamou todos os técnicos e agricultores a atuarem focados nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU).
 
Também estiveram na apresentação representantes da Biolabore - Cooperativa de Trabalho e Assistência Técnica do Paraná, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), entre outras instituições.
 
“Conseguir a diversidade do sistema agroecológico é fácil. Difícil é manter a diversidade institucional e isso tem sido feito com sucesso aqui nos projetos da região Oeste, onde há base institucional muito boa, com a Itaipu na liderança”, afirmou Alberto Fayden, da Embrapa.