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NOTICIAS / Educação Ambiental

27.09.2017

Horta Mandala se torna símbolo do Programa Encontros e Caminhos

Quem diria que a instalação de uma horta e de uma cisterna poderia promover a reestruturação de uma família? Foi o que aconteceu em Missal – Oeste do Paraná. Esta atividade do Programa Encontros e Caminhos, desenvolvido pela Itaipu em parceria com o Conselho dos Lindeiros e prefeituras da Bacia do Paraná 3, vai garantir que a família de Vitorino e Rosa Pelissari permaneça unida.
 
Os Pelissari têm vocação para agroecologia, mas problemas econômicos levaram Vitorino a sair da pequena propriedade onde mora, às margens da PR-495, para trabalhar em outro Estado, com objetivo de garantir seu sustento, da mulher e filha. Essa história começou a mudar nos últimos dias quando o comitê gestor do município implantou na propriedade da família uma cisterna e uma horta mandala. “Tínhamos problemas com falta de água e, por isso, não conseguíamos produzir o necessário para o sustento. O sistema da cisterna integrado com a horta vai mudar isso”, explica Vitorino, empolgado com as novas perspectivas de vida em Missal.
 
E o benefício não deve atingir só os Pelissari. Segundo o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Missal, Altair Setzner, as ações na área da família são estratégicas. A meta é tornar o local um modelo de agroecologia para o município, para divulgar os sistemas da cisterna e da horta mandala e possibilitar visitas de outros produtores e escolas. “A cisterna utiliza basicamente ferro e cimento. A água da chuva é captada e levada à horta mandala, que, devido ao seu modelo, facilita o manejo”, explica Setzner, lembrando que as duas estruturas demandam baixo custo e são integradas.
 
Mandala
 
Neste ano, a horta mandala se tornou um dos símbolos do Programa Encontros e Caminhos. Dos 29 municípios da BP3, mais de dez estão fazendo o cultivo desta forma. Algumas cidades têm até mais de uma unidade, como é o caso de Ramilândia.
 
Segundo a coordenadora do Comitê Gestor do município, Scarlat Assunção, o município conta com diversos pequenos produtores e até um assentamento rural. A potencialidade de ajudá-los por meio deste sistema, economicamente viável, prospecta a instalação da horta mandala em inúmeras propriedades, com o passar do tempo.
 
O modelo, esclarece a engenheira agrônoma Daiane Pauletti, utiliza pequenas áreas em canteiros circulares formando um desenho de “mandala”, que significa círculo (em sânscrito). O sistema garante maior aproveitamento da luz solar e também da água. Com isso, o manejo também é mais fácil.
 
Na propriedade da família Pelissari, há um pequeno reservatório de água para irrigar as plantas, desde as folhosas até as de uso medicinal (chás). Os dejetos de uma criação de galinha caipira vão adubar os canteiros.
 
“A mandala tem como princípio promover harmonia e integração dos cultivos, dos recursos da propriedade, mas também entre o produtor e a cultura”, ressalta a agrônoma. “O [Programa] Encontros e Caminhos está oferecendo uma oportunidade de pequenos produtores aprenderem metodologias para aplicarem em suas atividades. O custo baixo é outro diferencial e, por isso, é viável”, avalia Daiane.
 
Ensinamento na prática
 
O Encontro e Caminhos prevê a implantação das hortas mandala por meio de oficinas como a realizada em Missal. A iniciativa envolveu produtores orgânicos e alunos da Escola Municipal Antonio Raposo Tavares.
 
Em Itaipulândia, o mesmo tipo de atividade teve a participação dos estudantes do Projeto Jovem Aprendiz Agricultor. Junto com o comitê gestor do município, eles tiveram a oficina que beneficiará a Escola Municipal Rondônia e o Colégio Estadual Tiradentes.  
 
O estudante Ederson Scheibel foi uma das pessoas capacitadas pela iniciativa. Após o aprendizado, ele diz ter ficado interessado em levar o sistema à propriedade de sua família. “Vou passar adiante”, afirma. Este tipo de resultado é celebrado pelo pessoal de Itaipu à frente do programa, que prevê a multiplicação de cultura, educação ambiental e sustentabilidade.
 
Para as próximas semanas estão previstas oficinas em Marechal Cândido Rondon, Ramilândia, Santa Terezinha de Itaipu, Vera Cruz do Oeste, Diamante do Oeste, Cascavel, Foz do Iguaçu e São Miguel do Iguaçu.
 
O Programa
 
O Encontros e Caminhos foi criado para incentivar o cuidado com o meio ambiente e as ações de sustentabilidade na região. Lançado em 5 de setembro, o programa prossegue até o final de novembro. Até lá, serão realizadas expedições ao interior dos municípios da BP3; oficinas de cultura, educação e ambiental; rodas de violas e de memórias; mutirões para limpezas de rios; incentivo a criação de hortas comunitárias; peças teatrais e grafitagem. Está previsto o plantio de mais de 1.200 árvores na região.