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NOTICIAS / Institucional

29.09.2017

Fórum seleciona sete projetos do Sul para evento mundial de gestão da água

São José das Palmeiras, com cerca de 4 mil habitantes, figura entre os municípios com menos recursos na região Oeste do Paraná. Há pouco mais de 10 anos, a localidade enfrentava sérios problemas com abastecimento de água, que faltava em alguns períodos do ano. Hoje, mesmo em épocas de pouca chuva, a água não falta. A forma como o município resolveu este problema foi um dos exemplos selecionados para ser levado ao Fórum Mundial da Água, que será realizado em Brasília, de 18 a 23 de março de 2018. O evento deverá reunir cerca de 40 mil pessoas de mais de 150 países.
 
Quirino Kesler fala sobre a experiência de São José das Palmeiras durante o evento.
 
O caso de São José das Palmeiras foi um dos sete selecionados durante o Fórum Cidadão, realizado nesta quinta-feira (28), em Foz do Iguaçu. O evento é uma etapa preparatória para o Fórum Mundial, e foi realizado em parceria pela Rede Brasil de Organismos de Bacias Hidrográficas (Rebob) e pela Itaipu, com apoio da Agência Nacional de Águas (ANA). Esta foi a segunda edição do Fórum Cidadão, que já ocorreu em Fortaleza (CE) e será realizado, ainda neste ano, em Cuiabá (MT), São José do Rio Preto (SP) e Palmas (TO).
 
De acordo com o governador do Conselho Mundial da Água e presidente da Rebob, Lupércio Ziroldo Antonio, as experiências de gestão da água com participação social serão um dos diferenciais do próximo Fórum que, em suas edições anteriores, costumava ter uma ênfase mais técnica e governamental. “Junto ao Estádio Mané Garrincha (local em que se dará a programação principal) teremos a Vila Cidadã, um espaço em que teremos cerca de 100 cases em exposição, além de palestras e atrações culturais. Será um espaço aberto à participação da comunidade em geral e de forma gratuita”, adianta Lupércio.
 
Lupércio: Vila Cidadã deverá congregar 100 casos de gestão participativa da água.
 
Além da experiência de São José das Palmeiras, haverá outros projetos com apoio da binacional com presença garantida na Vila Cidadã, como as ações realizadas junto a pescadores da região do reservatório, educação ambiental nas comunidades do entorno, a gestão participativa das ações socioambientais com os comitês gestores municipais, entre outras. Itaipu também estará presente na programação principal do evento, com o programa Cultivando Água Boa, metodologia reconhecida em 2015 pela ONU-Água como melhor prática de gestão da água.
 
Gestão participativa
 
No passado, os proprietários rurais de São José das Palmeiras dependiam de 10 poços artesianos sendo que, desses, seis apresentavam problemas e chegavam a secar durante as épocas de estiagem. Hoje, mesmo em épocas de pouca chuva, como foi o último inverno, a água não falta. E os proprietários não dependem mais de poços artesianos, que aos poucos estão sendo desativados (restam apenas dois). A realidade mudou graças a um trabalho de identificação e recuperação das nascentes, que hoje garantem o abastecimento de aproximadamente 70% das propriedades rurais.
 
Exemplo de nascente recuperada e protegida.
 
Segundo o secretário Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Quirino Kesler, que atua no projeto desde 2006, embora seja simples e de baixo investimento, o trabalho precisa de envolvimento de todos, especialmente da comunidade, para atuar em parceria. “O custo é variável. Depende da situação de cada nascente. Algumas dão um pouco mais de trabalho”, conta Kesler.
 
Mas ele passa a receita: cerca de 10 horas-máquina (necessária para escavar em torno das nascentes assoreadas), um saco de cal virgem, 30 metros quadrados de lona, duas varas de canos PVC de 50 mm, 3 metros cúbicos de pedra e duas sacas de cimento, mais a mão-de-obra. Isso associado ao trabalho de educação ambiental para convencimento dos proprietários rurais, sobre a necessidade de identificar e proteger as nascentes com mata ciliar no entorno.
 
Hoje, São José das Palmeiras tem 78 nascentes recuperadas e georreferenciadas. Como a maioria delas está localizada na parte superior de morros, as propriedades são abastecidas por gravidade, o que elimina os custos de energia para o bombeamento, utilizado em poços artesianos. Com a boa experiência no município, Kesler conta que foi convidado pela Itaipu para recuperar uma nascente em Assunção, junto ao bairro São Francisco, onde a binacional vem realizando uma extensa obra de construção de casas populares e infraestrutura.
 
O caso de São José das Palmeiras demonstra como o envolvimento entre comunidade e poder público é essencial para solucionar problemas relacionados à gestão dos recursos hídricos
 
Outras experiências da Região Sul
 
Terezinha Guerra: ação de educação ambiental atinge alunos de 32 escolas na bacia do rio Gravataí.
 
O Fórum Cidadão também selecionou outras experiências da região Sul. Na bacia hidrográfica do Rio Gravataí, no Rio Grande do Sul, uma ação junto a professores da rede pública vem possibilitando transmitir conteúdos de educação ambiental aos alunos de 32 escolas de oito municípios. “A ideia é que os estudantes conheçam a bacia hidrográfica, suas características e problemas”, conta Terezinha Guerra, que atua no projeto.
 
Rose Adami: conscientização dos usuários da água na bacia do Urussanga, em Santa Catarina.
 
Em Santa Catarina, o Comitê da Bacia do Rio Urussanga também vem obtendo bons resultados através da educação ambiental de estudantes e da comunidade. O objetivo principal é conscientizar a todos, inclusive as empresas usuárias de recursos hídricos, sobre a importância da água, não só nos processos econômicos, mas para a vida. “É uma bacia que, apesar de pequena, sofre muita pressão, especialmente da indústria da mineração. Daí a importância da participação de todos na gestão da água”, diz a coordenadora de educação ambiental do comitê, Rose Adami.
 
Alessandra: pagamento por serviços ecossistêmicos para quem protege araucárias.
 
Outra ação do Sul é o Programa de Desmatamento Evitado, do Paraná. Presente em 33 áreas que totalizam quase 5 mil hectares, a ação visa à preservação da Floresta de Araucária, ecossistema ameaçado que conta com apenas  0,8% da cobertura original. Coordenado pela ONG SPVS, o projeto viabiliza recursos para que produtores rurais conservem essas áreas de mata, por meio de pagamento por serviços ecossistêmicos. “O programa provê suporte técnico e financeiro para que essas áreas sejam mantidas com seu aspecto natural, conservando a biodiversidade”, afirma a engenheira Alessandra Xavier de Oliveira, da SPVS.