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NOTICIAS

31.08.2017

FAO conclui curso sobre CAB com etapa presencial na região da Itaipu

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) está concluindo, nesta semana, um curso de formação sobre a metodologia do programa Cultivando Água Boa (CAB), da Itaipu. O curso é voltado a gestores de bacias hidrográficas, representantes do poder público e terceiro setor envolvidos com a temática da água e desenvolvimento territorial, de 13 países latino-americanos.
     
Paulo Amaral, gerente do projeto de Inclusão Social Produtiva (IB-PTI-BNDES) explica sobre o apoio a cooperativas locais.
      
Conforme explica Javiera Suárez, consultora da FAO e encarregada de cursos de capacitação em sustentabilidade, o primeiro contato com o CAB ocorreu no final de 2015. De lá para cá, a FAO aprofundou seus conhecimentos sobre o programa bem sucedido da Itaipu, premiado pela ONU-Água em 2015 como melhor prática de gestão da água. 
     
Javiera Suárez, da FAO: "ideia era trazer os alunos para verem de perto os assuntos que esturam".
          
“Em 2016, traçamos o plano para um curso sobre o CAB, elaboramos os conteúdos e o desenho da plataforma EAD (educação a distância). E também, com ajuda das representações da FAO, buscamos pessoas de vários países interessadas em fazer a capacitação, especialmente técnicos ligados a ministérios de meio ambiente e agricultura, universidades e prefeituras”, afirma Javiera.
      
 
Ronaldo Pavlak, do programa Desenvolvimento Rural Sustentável, explica a iniciativa aos participantes do curso.
     
O curso a distância, de 60 horas, foi realizado entre abril e julho, para um total de 70 alunos. Os 40 com melhor desempenho foram selecionados para a etapa presencial, realizado na Itaipu e na área de influência do reservatório, entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro. Além de visita a Itaipu, a parte presencial inclui oficinas em diversos municípios da Bacia do Paraná 3, abordando questões como a organização das cooperativas de agricultores familiares, coleta seletiva, áreas protegidas, agroenergia, plantas medicinais, entre outras.
       
“A ideia era trazer os alunos para verem de perto a experiência que estudaram durante o curso”, conta Javiera. “O principal objetivo do curso é explicar a metodologia, como funcionam os comitês gestores, as Oficinas do Futuro (processo participativo de diagnóstico e planejamento) e a relação com a comunidade”, acrescenta.
       
Mirian Romero: CAB como ferramenta para implantar os ODS e auxiliar no desenvolvimento dos municípios mais pobres do Paraguai.
      
Para Mirian Romero, diretora-geral de Gestão Ambiental da Secretaria de Planejamento do Paraguai, o curso foi muito válido para adquirir conhecimentos que podem ser replicados no país vizinho, especialmente nos municípios mais vulneráveis, como estratégia para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “Um ponto interessante é como auxiliar os agricultores mais pobres a atuarem em forma de cooperativas, possibilitando gear mais renda”, diz a diretora.
      
Miguel Argano, do México: aprendizado para uma gestão de bacia hidrográfica bem-sucedida.
     
O consultor Miguel Angel Arango, que trabalha em projetos de gestão integrada da água no México, explica que a realidade de seu país é muito parecida com a brasileira, inclusive em relação às leis que regem os comitês de bacia. “A diferença é que a Itaipu, na região do CAB, começou trabalhando as microbacias. E acho que isso possibilita mais sucesso, tanto nas ações de recuperação, como na participação social para a tomada de decisão”, avalia o consultor, que atuou para a implantação de um programa-piloto inspirado no CAB na microbacia Copalita Tonameca, afluente do rio La Venta, em Oaxaca.
     
Mercedes Restrepo, da ONG Programa Desarrollo para la Paz, também está envolvida com uma iniciativa similar ao CAB, denominada PAI (Plano de Ação Integral), na bacia do Rio Guarinó, na Colômbia.  
     
Mercedes Restrepo, da Colômbia, quer estreitar o relacionamento com o CAB após o curso.
      
Para ela, os pontos fortes do CAB estão na recuperação das bacias hidrográficas, a articulação dos atores locais e o fortalecimento das comunidades e dos sistemas produtivos. “Estou gostando muito do curso e penso em estreitar os laços entre o PAI e o CAB”, garante.