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NOTICIAS / Rio +20

28.06.2012

Com apoio de Itaipu, BP3 terá investimento federal para desenvolver fitoterápicos

Três municípios da Bacia do Paraná 3 – Foz do Iguaçu, Pato Bragado e Toledo – vão receber mais de R$ 2 milhões do Ministério da Saúde para desenvolver a cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos na região. A portaria autorizando os repasses foi publicada no último dia 20, no Diário Oficial da União. É primeira vez que recursos federais são investidos no setor.

No total, 43 municípios apresentaram propostas ao Ministério da Saúde e apenas 12 foram selecionados. O investimento previsto é de R$ 6,7 milhões. As propostas foram recebidas até o dia 1º de junho, a partir de edital lançado pelo Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. O Paraná foi o Estado com maior número de municípios beneficiados – justamente os três da BP3.

Foz do Iguaçu, Pato Bragado e Toledo contaram com apoio da Itaipu Binacional para a elaboração da proposta técnica e execução do projeto, que contempla a articulação de arranjos produtivos locais (APLs). Desde 2003, a usina já desenvolve o Projeto Plantas Medicinais, dentro do Programa Cultivando Água Boa (CAB), e presta assistência aos municípios da região.

“Itaipu teve o papel pioneiro, não só na produção de fitoterápicos, mas, sobretudo, de articular os municípios, as prefeituras e as unidades de saúde para o uso de fitoterápicos como rol de medicamentos do Sistema Único de Saúde”, elogiou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na última sexta-feira (22).

A declaração foi feita durante visita ao estande do Ministério da Saúde, no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, um dos espaços de exposição abertos ao público durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). No local, o projeto de Itaipu ganhou amplo destaque.

“Acreditamos que, com uma maior diversidade de opções para tratar dos problemas da saúde, nós poderemos dar um tratamento mais humanizado às pessoas, com mais qualidade de vida”, acrescentou Padilha, que esteve no Píer acompanhado na visita pelo diretor de Coordenação e Meio Ambiente de Itaipu, Nelton Friedrich.

Como vai funcionar

Além dos três municípios paranaenses, também foram beneficiados com recursos federais Betim (MG), Botucatu (SP), Brejo da Madre de Deus (PE), Diorama (GO), Itapeva (SP), João Monlevade (MG), Petrópolis (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e Santarém (PA). Dos R$ 6,7 milhões, Foz receberá R$ 939,5 mil; Toledo, R$ 603,7mil; e Pato Bragado, R$ 521,7 mil. A expectativa é que os recursos sejam liberados até o dia 3 de julho.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, o investimento deverá ser aplicado na aquisição de medicamentos e materiais, contratação de pessoal, qualificação técnica e na promoção da interação e cooperação entre os agentes produtivos. Deverão ser considerados os conhecimentos tradicional e científico e a agricultura familiar.

“O objetivo do ministério é aliar a saúde à sustentabilidade e ao desenvolvimento socioeconômico do país. Queremos mostrar que é possível desenvolver a cadeia produtiva com sustentabilidade”, explica o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, em texto divulgado pela assessoria de imprensa do ministério.
  
Realização de um sonho

Para o coordenador do projeto de fitoterápicos de Itaipu, Altevir Zardinello, a criação do Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e a liberação dos primeiros recursos federais para o setor representam “a realização de um sonho que começou em 2003”. “A utilização das plantas medicinais pelo SUS vai possibilitar que essa cadeia produtiva se desenvolva e passe a ganhar escala”, afirmou.

Somente no ano passado, a produção de plantas medicinais e fitoterápicos no Refúgio Biológico Bela Vista, em uma área de 1,5 hectares, atingiu cerca de uma tonelada. São produzidas no local 144 espécies de plantas medicinais. Desse total, 30 espécies são processadas para distribuição pelo SUS – como guaco, espinheira santa, alcachofra, melissa, carqueja etc.