Expedição de boas práticas em São José das Palmeiras

  • por: Editor
  • [19.05.2014]
  • Categoria:
Troca de Experiências

A visita começou na comunidade Codal, a 15 quilômetros de São José, onde tomaram um café reforçado, com direito a cuca, sucos diversos e cafés com leite. Dali, foram visitar uma nascente coberta e protegida, um dos trabalhos que mais orgulham Quirino Kessler, gestor de bacias hidrográficas. “Quando viemos aqui pela primeira vez, aqui não tinha nada, só a água exposta. Protegemos e cobrimos a nascente, plantamos a mata ciliar, e hoje está assim,” explicou, orgulhoso.
     
A parada seguinte foi em uma propriedade modelo em produção de leite. Dona Hulda Fachi morou na cidade por 23 anos, precisamente, em Cascavel. Cansou. Colocou a casa em cima de um caminhão (!) e decidiu, literalmente, fixar residência em São José das Palmeiras. Atualmente, vive bem com o esposo e as 12 vaquinhas do casal, que produzem 100 litros de leite diariamente.
     
A segunda propriedade foi a do Gilberto, no alto do morro. De seu território, foi possível ver toda a mata ciliar que hoje protege a Sanga Barra Funda e a Vergueira. De lá era fácil traçar por onde mais passariam. Em seguida, passaram pela residência da pioneira Cândida, que além de boas práticas, tinha boas histórias pra contar – como desbravadora vinda do Nordeste, guardou até mesmo a velha casinha de madeira, hoje na frente da nova casa, de alvenaria.
     
Depois da exploração contemporânea, os jovens se deliciaram com um almoço e foram à última propriedade, que reservava a eles uma grande surpresa – uma queda d’água para aplacar o calor traiçoeiro que começou a fazer antes mesmo do meio dia.

História, Música e viola na Linha Jacutinga, em Itaipulândia

  • por: Editor
  • [12.05.2014]
  • Categoria:
Troca de Experiências

A noite de alguns itaipulandienses foi de muita história, músicas gauchescas e diversão. Aos pés da prainha, a Linha Jacutinga recebeu a roda de viola e história, que a cada evento recolhe retalhos da memória de Itaipulândia.
     
O Coordenador do Comitê Gestor Gelson Lautert foi o mestre de cerimônias/cantor/entrevistador do evento, deixando o microfone aberto para quem quisesse participar, fosse contando histórias, piadas, alguns fatos e curiosidades do município ou até mesmo cantar.
      
Lembrando da passagem de primeiro de maio e da recente passagem do cantor Jair Rodrigues, foram entoadas as canções “Herói da Velocidade” e “Majestade, O Sabiá”, respectivamente.
     
Todos os habitantes da “Querência Amada” dividiram histórias e curiosidades sobre o local em que vivem, como por exemplo da origem do nome, já que ali era reduto de inúmeras aves de nome Jacutinga.  Falaram de quando ali era difícil viver, de ter que desmatar para habitar, quando não se tinha as facilidades do mundo de hoje.
     
Maravilhas de se morar em cidadezinhas: o pároco de Jacutinga deu às bênçãos O encontro ao som da história encerrou-se ao sabor de uma deliciosa macarronada com caldo, e um punhado de histórias que deixou o povo com gostinho de quero mais.
     
Fonte: www.encontrosecaminhoscab.com.br

Encontros CAB nas redes sociais

  • por: Editor
  • [05.05.2014]
  • Categoria:
Troca de Experiências

O projeto Encontros e Caminhos Cultivando Água Boa já começou e está com a corda toda nos municípios da Bacia do Paraná 3. Para acompanhar esse ritmo, o uso da internet é imprescindível. São inúmeras as formas de conseguir informações sobre o que cada cidade está fazendo enquanto celebra suas boas práticas, os dez anos do Programa Cultivando Água Boa e os 40 anos de Itaipu.
         

   
Há vários caminhos para os Encontros CAB, que além de um site em que as ações estão contidas, possui conta no Twitter, Facebook, Instagram, Flickr e Youtube, para alcançar todos os tipos de público. Não é difícil encontrar, é só complementar com /encontrosCAB todos os endereços das redes já citadas. Eo site pode ser acessado pelo endereço www.encontroscab.com.br .
    
No Youtube, já é possível ver algumas atividades executadas no lançamento do projeto nas cidades, além de boas práticas na cidade de Mundo Novo, no Mato Grosso do Sul. Lançado nesta semana, será uma fonte de informações com matérias curtas sobre o que acontece em cada cidade.
      
A fanpage dos Encontros serve como ponto principal de interação com os municípios participantes. É possível participar de toda essa teia de informações simplesmente utilizando a hashtag #EncontrosCAB na postagem pessoal referente ao assunto.  Para se ter um exemplo, na página do Facebook, mais de 120 mil pessoas já foram impactadas pelo conteúdo dos Encontros CAB, seja com visualizações, curtidas, postagens e compartilhamentos.
    
No Flickr é possível encontrar as fotos dos eventos, organizados por data e local. Já no site, estão dispostas informações sobre as ações de cada cidade. No Instagram, fotos destaques de cada dia e no Twitter, muita interação também. Tudo pensado para canalizar todas as informações referentes ao projeto, vindos dos munícipes e dos atores de toda a cadeia de ações que move as 29 cidades que festejam durante o mês de maio e a primeira quinzena de junho.
 

Altônia Realiza o II Rio + Limpo no Projeto Encontros e Caminhos – CAB 2014

  • por: Editor
  • [30.04.2014]
  • Categoria:
Troca de Experiências

Na manhã de Sábado (26/04) foi realizado o II Rio + Limpo nas margens do Rio Paraná no município de Altônia. O evento é uma parceria da Prefeitura Municipal de Altônia, CORIPA, ICMBIo, Clapestur – Clube Altoniense de Pesca e Turismo, Itaipu Binacional, Pastoral da Juventude, Web Rádio Água, Coletivo Educador e Secretaria do Meio Ambiente.
     
Equipes percorreram  a comunidade da Vila Yara  para conscientizar os moradores sobre o procedimento da destinação correta do lixo através da coleta seletiva, para que todos participem do processo de conservação e proteção das áreas de preservação permanente no entorno do rio.
     
Esse ano as equipes participantes encontraram e recolheram menos lixo. Isto mostrou que a população está se conscientizando e assimilando bem as orientações que recebem através de diálogos e entrevistas realizadas com o povo no local e nas casas dos moradores da Vila Yara.
     
No final do evento, todos os participantes foram contemplados com um delicioso almoço de agradecimento pela colaboração e ajuda prestada em proteção da natureza.
     
O Prefeito Amarildo Ribeiro Novato, o Vice-Prefeito Odenilson Rossano, o Secretário de Meio Ambiente José Orivaldo e toda equipe organizadora agradecem a presença dos participantes neste primeiro evento dentro do Projeto Encontros e Caminhos – CAB 2014 do RIO + LIMPO no Município de Altônia.
     
fonte: http://www.portalaltonia.com.br/

"As quatro estações da alma" é sucesso em Terra Roxa

  • por: Editor
  • [30.04.2014]
  • Categoria:
Troca de Experiências


     
Como já era de se esperar a Casa da Cultura Ademir Antonelli atingiu lotação máxima com a primeira apresentação do ano pelos alunos do curso de teatro.
     
A apresentação principal aconteceu no domingo (27) às 21h e teve 1h20 de duração. Na segunda-feira (28) aconteceram mais três apresentações aos alunos do ensino médio e fundamental.
    
Leia a matéria completa AQUI.
     
Mais informações sobre o projeto Encontros e Caminhos CAB, visite o site: http://encontrosecaminhoscab.com.br/

Sustentabilidade que se põe na mesa

  • por: Editor
  • [18.12.2013]
  • Categoria:
Depoimentos

Ela cresceu vendo a mãe e a avó aproveitando todos os alimentos disponíveis e ainda utilizando o que sobrava para fazer adubo para as hortas. Hoje, Regina Tchelly, uma paraibana de sorriso fácil e imensa simpatia, usa o que aprendeu ainda criança para melhorar a vida das comunidades da Babilônia e Chapéu Mangueira, onde mora, no Rio de Janeiro. Com seu projeto, o Favela Orgânica, a ex-empregada doméstica ensina homens e mulheres a aproveitarem totalmente os alimentos.
   
Da casca ao talo tudo pode virar um prato saboroso e rico, como o salpicão de casca de melancia ou o brigadeiro de casca de banana, duas das dezenas de receitas que ela prepara. Ela também ensina a todos que qualquer embalagem – garrafas PET, caixas de isopor, bacias velhas – pode virar um canteiro para plantar frutas e hortaliças no quintal de casa. Na comunidade, muitos moradores cultivam hortas em embalagens de alimentos vazias, mesmo em pequenos espaços é possível produzir. E nada de agrotóxico, tudo pode ser tratado de maneira natural, saudável. 
    
O Favela Orgânica tem apenas dois anos, mas já conta muitas vitórias, atrai pessoas de todos os lugares e de todas as condições financeiras, gente que quer aprender e gente que quer ajudar. Seu exemplo corre o mundo: ela é notícia em vários jornais e emissoras de televisão e já levou suas oficinas de aproveitamento de alimentos para várias cidades brasileiras e também para a Itália, onde participou de um evento do movimento Slow Food Internacional, em 2012.
    
No Encontro do Programa Cultivando Água Boa (CAB) deste ano, Regina Tchelly vai fazer o que mais gosta: ensinar a fazer alimentos com o que muita gente joga no lixo e mostrar um que com coragem e determinação é possível fazer qualquer coisa e realizar sonhos.
    
Como começou seu projeto Favela Orgânica? Qual foi sua inspiração?
Com a minha própria experiência de ser nordestina, de ter de aprender a aproveitar bem melhor os alimentos, saber valorizar o que se leva à mesa. A gente sabe gerir o que consome, lá na Paraíba, onde eu morava. Via minha mãe, que quando não aproveitava a casca de uma fruta, colocava na hortinha lá em casa para decompor e virava terra. Aí, eu vim para a cidade grande e vi a quantidade de alimentos que estava sendo desperdiçada na feira; vi que com um pé de brócolis eu fazia cinco tipos de pratos diferentes. Então, comecei a criar receitas na minha cabeça. Mas eu queria sempre ser uma cozinheira diferente, uma cozinheira que desse solução para o nosso consumo. Olha que loucura. Eu fui muito danada, não foi não? Eu sempre quis uma cozinha afetiva e que pudesse dar valor pelo alimento imediato. Foi aí que desenvolvi o Favela Orgânica. A ideia é devolver para a terra o que a terra nos dá. O povo dizia que na Paraíba o povo passava fome, mas quando eu vim para o Rio de Janeiro, eu vi a realidade do passar fome, muitas vezes, por querer, por preguiça, mas muitas vezes também porque não sabem que um matinho que está na casa deles (ora pro nobis, por exemplo) dá para comer. É um absurdo aqui no Rio de Janeiro alguém passar fome. As pessoas não têm conhecimento do aproveitamento total. O Favela Orgânica não é inovador nesse sentido, porque o aproveitamento total, horta comunitária, isso tem há anos, eu acho que o inovador é a consciência, o resgate. Isso o Favela Orgânica tem muito. Começar de uma favela para o mundo.
    
Quando chegou ao Rio de Janeiro?
Há 12 anos, em 30/06/2001. E aí, em 2011, veio a Agência de Redes para Juventude para as comunidades pacificadas dando oportunidade para jovens de 15 a 29 anos desenvolver projetos que viessem trazer benefícios para a comunidade e para a cidade. Eu já era muito virada na cozinha e disse ‘é minha oportunidade, minha oportunidade’. Aí eu passei por uma banca avaliadora e não fui selecionada. Foi o melhor não da minha vida. Foi aí que eu consegui R$ 140 com amigos e vizinhança e chamei seis mães multiplicadoras da comunidade para elas fazerem comigo a primeira aula.
    
Como é que funciona o Favela Orgânica?
 Eu tenho a oficina do consumo consciente, oficina de compostagem caseira, para ensinar que fazendo uma compostagem você tem um adubo, a oficina de pequenas hortas em pequenos espaços e também a gastronomia alternativa. Inclusive vou fazer uma horta comunitária para entrar no consumo das pessoas, para elas refletirem para que consumir tanto, desperdiçar tanto. Vou usar garrafas PET, bacias. A ideia é fazer com que as pessoas consigam imaginar o quanto de embalagens elas levam para casa e o quanto que elas podem economizar se aprenderem a consumir corretamente, comprar um potinho de alguma coisa e fazer comida nesse potinho, plantar comida. Acho que eu já dei mais de 2 mil oficinas. E vem muita gente ser voluntária aqui comigo, gente do Brasil, gente de Paris, da Bolívia, do Chile, de muitos lugares. Tá movimentando a galera. Tem também um bufet alternativo. É um projeto que trabalha com o ciclo do alimento, com o consumo consciente. Não tem coisa melhor que começar com o bufê, concorda? As pessoas ficam encantadas e através disso vêm para as oficinas. Eu acho que o projeto é muito ambiental antes de qualquer coisa senão seria uma empresa comum e a minha proposta é outra.
    
Você mora na comunidade, trabalha na comunidade?
Moro dentro da comunidade e o Favela Orgânica funciona dentro da minha casa. A única dificuldade que eu tenho é a falta de espaço. Aqui eu fico um pouco limitada. Na comunidade, mais de 200 pessoas já foram beneficiadas com as oficinas, com o próprio bufê, sendo remuneradas, de uma forma ou outra deu um incremento na renda deles. Teve gente que já comprou várias coisas para dentro de casa. E dá muito certo porque eu mostro para elas que eu não sou patroa e que elas não são minhas empregadas, e sim, somos parceiras. A parceria é importante no seu trabalho? A minha proposta maior é [acabar com] o grande desperdício de alimentos e muita gente passando fome, aproveitar aquilo que as pessoas não entendem que seja alimento. Eu tenho de começar por aquilo que está acontecendo, a realidade local, a realidade dos dias de hoje. Se eu conscientizar a pessoa, por exemplo, e ela plantar e pensar no que vai levar para casa, focar nessas hortas de pequenos espaços já é uma vitória. Quando cozinheiras, nutricionistas, chefes de cozinha, pessoas do meio ambiente, poder público começarem a se juntar o mundo muda rapidinho. Basta querer, sabe? Eu acho fantástico trabalho que tem aí em Itaipu.
    
Como é que seu trabalho começou a ganhar o mundo?
Com dois meses, a Rede Globo estava aqui em casa, depois vários jornais, aí com 6 meses, a BBC. Com um ano, eu estava na Itália com o movimento Slow Food Internacional. Fui dar palestra para 600 pessoas, rodeada de vários chefs do mundo e também cozinhei lá.
    
O que você diria para quem quer realizar um trabalho como o seu?
Primeiro se ame e se coloque no lugar de uma pessoa que vai receber o que você vai propor. Eu acho que quando a gente se ama, a gente vê que a gente é capaz, vê que tudo o que a gente vai dar para os outros é o que a gente queria receber. Eu me coloquei muito no lugar das meninas, a maioria era como eu na época, empregada doméstica, com filho, marido. O que me incentivaria a ir para uma escola de gastronomia e, ainda por cima, alternativa (que é com talo, casca e semente), 7 horas da noite, depois de um dia longo de trabalho? Primeira coisa, ser afetiva, depois, ser um lugar de resgate, de respeito, de muito amor. É muito mágico. Na Rocinha, em outubro, dei oficina para 60 pessoas. Como elas se amaram, como elas se respeitaram. Porque eu estou indo com um movimento que não é aquela coisa: cortadinho certinho, eu sou a chef fazendo. Eu não. Todo mundo faz eu só explico como é que é feito, nem a mão direito eu coloco porque elas têm que ver, têm de colocar do jeito que elas gostam. A única coisa que eu falo é ‘lembrem-se que vocês estão cozinhando para as pessoas mais especiais na vida que é cada uma de vocês e lembrem-se que tem muita gente especial aqui pra comer o amor de vocês’.
    
Quais são seus planos para o futuro? O que você tem planejado? O que você espera?

O que eu quero mesmo, primeiro, é um espaço. Com esse espaço vou poder passar muita coisa que tem dentro de mim para poder ser compartilhado. A segunda coisa é que eu consiga levar alimentos num pote para pessoas, para que as pessoas consigam plantar onde elas tenham espaço. Esse movimento eu preciso muito fazer, estou com muita necessidade no meu coração de fazer isso: é plantar, plantar, plantar, levar os produtores até o cliente, o cliente até o produtor, fazer essa transformação.

"O meio ambiente precisa da juventude"

  • por: Editor
  • [01.02.2012]
  • Categoria:
Depoimentos

Com apenas 18 anos de idade, Marcelo Wiederkehr cresceu na agricultura familiar e se preocupa diariamente com o meio ambiente. Todos os anos, ele se desloca de São José das Palmeiras para participar do Encontro Cultivando Água Boa. No último mês de novembro, o jovem aproveitou para aprimorar seus conhecimentos na oficina Juventude e Meio Ambiente. “Um completa o outro, o meio ambiente precisa da juventude para se recuperar”, disse. 

     

Wiederkehr é coordenador do Sindicato de Jovens do munícipio e garante que por lá os cuidados com a natureza são constantes. “Os próprios jovens cobram o comprometimento com o meio ambiente e utilizam as redes sociais para isso”, destacou.

      

“Os programas do Cultivando Água Boa abrem mais oportunidades de apoio técnico. Se não fosse o CAB muitas coisas não existiriam. Mas não dá só pra ficar na expectativa de que alguém vai resolver. É importante agir".

     

O agricultor conta com o apoio do CAB há três anos e participa de diversos programas em sua microbacia, como agricultura orgânica, sistemas de água e florestas e gestão de bacias. “A Itaipu é uma grande parceira do município. Antes não tinha estrada no sítio, hoje é quase tudo feito com pedra regular e o rio está limpo”.

Catadores unidos crescem juntos

  • por: Editor
  • [12.12.2011]
  • Categoria:
Depoimentos

Serli Correia dos Santos de Almeida é catadora e, desde agosto de 2010, um dos 19 integrantes da Associação de Catadores de Recicláveis de Toledo. A associação foi criada com apoio da Itaipu Binacional e da Prefeitura de Toledo.

 

"Eu trabalho com resíduos sólidos há 19 anos e quando comecei a trabalhar com o Cultivando Água Boa, em 2010, tudo mudou completamente. Antes, eu trabalhava sem saber o que estava fazendo. Agora, somos bem vistos pela população de Toledo e estamos recebendo apoio. A gente percebeu que mudou a renda e o reconhecimento".

 

Serli e outros oito catadores de Toledo vieram a Foz do Iguaçu em novembro de 2011 para participar da oficina de Gestão de Resíduos e Inclusão Digital, uma das oficinas do Encontro Cultivando Água Boa Rumo à Rio+20. "A maioria dos catadores não sabe o que está fazendo, participando da oficina dá para entender melhor o nosso papel", disse.

 

"A maioria dos catadores não sabe o que ele está fazendo. Eles podem se engajar em uma causa. Mas muitos pegam o material, vendem e já gastam tudo. Não têm a paciência de juntar, de esperar para vender direto à indústria e perdem com isso", afirmou.
 

Segundo Serli, com a venda de materiais diretamente para a indústria, os ganhos aumentaram 90%. "Aumentou o salário porque a gente sabe trabalhar melhor e gerenciar o nosso negócio", avaliou.

Cultivar peixe: bom para o produtor e bom para o planeta

  • por: Editor
  • [28.09.2011]
  • Categoria:
Depoimentos

Como começou o programa?

A gente começou dentro da nova missão institucional de Itaipu, a partir do gerenciamento estratégico e da preocupação social e ambiental, buscando um relacionamento afinado entre com a vizinhança e, principalmente, a inclusão social. Então, a mim coube a missão de tentar estabelecer uma relação organizada com alguns setores que estavam bem distantes da empresa, como no caso dos pescadores artesanais, que são aqueles que vivem da pesca, dependem dela para sobreviver. São sete colônias no reservatório, com mais de 800 famílias, além das comunidades indígenas que estão na beira do lago e que vêem na pesca e na piscicultura uma alternativa, e também os assentados e ribeirinhos, que tinham essa reivindicação de querer utilizar as águas do reservatório para complementar a renda deles. Já tínhamos alguns experimentos para implantar o processo de cultivo de peixes no reservatório, em substituição à pesca extrativista. A estatística pesqueira estava mostrando uma redução da pesca extrativa. Foi a partir daí que a gente pensou e começou a discutir juntos, tanto no comitê coletivo quanto nas relações individuais que a gente teve naquele momento de diagnóstico, que o mais adequado seria implantar um processo de piscicultura.

 

E qual foi o resultado dessas discussões?
A partir daí nós começamos a estudar o reservatório, fazer um plano diretor, ver onde dava para criar peixe, onde não dava... Fizemos todo o zoneamento para não conflitar com outros interesses que já estão no lago, como navegação, praia, extração de areia, pesca esportiva, a própria pesca artesanal. E a partir daí encaminhamos todo um processo de autorização legal e licenciamento junto ao Ministério da Pesca e o programa avançou bastante nesse ponto. Entramos num processo experimental de cultivo, para depois passar para um processo de produção mais definitiva, e foi uma experiência muito boa. Hoje, já demos passos importantes no processo de piscicultura: temos três parques aquiqueras demarcados, o reservatório está todo demarcado, a gente sabe onde pode e onde não pode cultivar peixe e quanto pode cultivar em cada local. E nós temos já 72 produtores com títulos de uso, autorizados e plenamente legalizados para produzir. Então, isso foi um salto importante graças ao Cultivando Água Boa.

 

Qual a importância do projeto dentro do Cultivando Água Boa?
O peixe bom, tanto cultivado quanto pescado, tem que ter um ambiente bom. E o peixe é o melhor indicador que tem para a água. Onde a água é ruim, não tem peixe bom. E onde dá peixe bom é sinal de que o ambiente está conservado. Então, é um marcador importante a presença de peixe. Uma coisa depende da outra. E toda a política que foi feita de preservação de toda a bacia, recuperação dos passivos é um resultado que vai beneficiar, diretamente, a pesca e a piscicultura, porque os peixes respiram a água e a água sendo boa, é melhor para o peixe. Água suja, água ruim, não dá para criar peixe e também não tem peixe na natureza.

 

Quando vocês começaram esse trabalho, como era a receptividade?
No começo era conflituosa. Existiam muitas práticas dos pescadores que eram teoricamente agressivas à natureza, à faixa de proteção e ao próprio ambiente aquático. Então, antes, havia uma relação de notificar e limitar. Aí foi criada uma nova relação, uma relação de diálogo, para corrigir e para ajudar um ao outro, de uma forma mais fraternal. E isso foi muito positivo, porque hoje nós vivemos em perfeito diálogo. Não que esteja tudo afinado, porque os interesses não foram todos atendidos da parte deles e nem do nosso, mas existe uma evolução muito grande nessa relação. Hoje, existe uma relação de sintonia muito forte, entre as ações e as aspirações dos pescadores e dos produtores de peixes, com relação também ao que Itaipu aspira e tem como horizonte para essa atividade.

 

E o quê você percebe de mudanças para eles, os pescadores?
Tem muitas mudanças que a gente percebe. Eles melhoraram de vida. Mudou também a consciência ambiental. Por exemplo, nós temos alguns produtores de peixes que são também pescadores, e que hoje se convenceram. Não precisou que nós falássemos para eles que não vale mais a pena pescar, extrair da natureza. Eles se convenceram de que o caminho é produzir e vender peixe produzido e não o pescado. Porque isso é bom pra ele e para a natureza. Essa é a fórmula para fazer com que haja menos pressão em cima do meio ambiente. E o consumidor também vai passar a exigir peixe cultivado. Senão, vai ter sempre aquela pressão de passar a linha amarela e querer comer peixe da natureza, e a natureza demora para produzir um extrato pesqueiro. Os peixes de grande porte que nós temos aqui na região crescem um quilo por ano. Por isso, se você matar um peixe de 20 quilos, é sinal de que ele demorou 20 anos para ficar daquele tamanho. E não dá para você matar um peixe que está pesando um ou dois quilos, como costumeiramente ocorre, porque aí vai terminar a espécie, ela será extinta. Então, há uma necessidade produzir alimento protéico como é o peixe e não dá mais pra ficar só desmatando para produzir carne de boi, de porco, de frango. O planeta já não comporta mais. Então, nós temos o latifúndio aquático, que dá para aproveitar sem cortar uma árvore, desde que seja manejado corretamente, bem estudado e bem demarcado. Daí, é possível produzir uma enormidade de proteína boa como é o peixe, sem estabelecer prejuízo à biodiversidade íctica e também ao planeta.

 

O consumidor nota a diferença para o peixe produzido?
Tem algumas diferenças. Por exemplo, havia uma dificuldade para colocar o peixe na merenda escolar, porque o peixe tem espinho e criança não pode receber um prato com espinho de peixe. Então nós avançamos nisso, com uma máquina que tira os espinhos da carne do peixe. E aí dá para produzir vários pratos a base de peixe para as crianças. Outro ponto é que, quando você aumenta a oferta de peixe, automaticamente, o custo para o consumidor diminui. O consumidor nosso está consumindo peixe que vem do Peru, do Chile. O salmão, peixe de água salgada, por exemplo, não está ao alcance das populações menos remuneradas. E os peixes que estão sendo produzidos aqui, os nossos produtores estão vendendo. Por exemplo, o Pacu está sendo vendido a R$ 4,50 o quilo, nas feiras municipais. Nenhum peixe que vem de fora está nesse preço. Porém, nós ainda temos que evoluir bastante na organização de toda a cadeia da piscicultura. Não temos as redes de frigoríficos nem as fábricas de ração, por exemplo. O acesso ao crédito também não está resolvido para produzir, porque para produzir não é assim tão barato. Mas é uma luta que nós estamos travando para resolver esses pontos e tornar sustentável essa cadeia da piscicultura aqui na nossa Bacia do Paraná 3.
 

Cultivar plantas medicinais é cultivar qualidade de vida

  • por: Editor
  • [09.02.2011]
  • Categoria:
Depoimentos

"Eu, como produtora de plantas medicinais, acredito que este projeto tem tudo para dar certo, pela importância que tem na vida das pessoas. Não só pelo valor econômico, mas também pela qualidade de vida que pode oferecer para as pessoas que produzem e fazem uso dessas plantas para prevenir e até curar algumas doenças. No meu caso, foi também uma maneira de manter minha família trabalhando na propriedade, alem de ser uma fonte alternativa para complementar a minha renda."
     
Guiomar Santana neves, produtora de Vera Cruz do Oeste e presidente da Cooperativa Gran Lago.