Nos Encontros CAB, professores contam suas próprias histórias

  • por: Editor
  • [21.05.2014]
  • Categoria:
Troca de Experiências

Em São Pedro do Iguaçu, Luiz Carlos Salamí; em Itaipulândia, Gentil Donini; em São Miguel do Iguaçu, Dimas Raicik. Todos eles foram os primeiros professores em seus respectivos municípios. Saíram de suas cidades de origem para dar perspectivas e educação aos filhos dos pioneiros que tentavam se estabelecer em um local completamente novo, então carente de infraestrutura e serviços básicos. Para transmitir conhecimento às crianças, era rotina ter de abrir picadas no mato, pisar o barro e percorrer grandes distâncias.
   
Na atualidade, apesar de já estarem com os cabelos brancos, a disposição é a mesma e eles ainda passam seus saberes para os filhos e netos daqueles que por primeiro estiveram em suas salas de aula.  Aos rapazes e moças de agora, eles contam como aquele tempo era difícil, como coisas hoje corriqueiras eram inéditas e a união era a força motriz para trazer progresso ao território.
   
Gentil, de Itaipulândia, foi um pioneiro no sentido literal da palavra. Foi o primeiro professor, o primeiro catequista e ainda ajudou a subir o primeiro sino da igreja, a construir a primeira quadra de esportes e organizar a primeira banda de fanfarra. “Quando eu cheguei aqui, vindo do Rio Grande do Sul, ainda nem existia Itaipulândia, ainda era o começo do território de Aparecidinha do Oeste,” revela. “Sinto-me muito feliz e honrado ao mostrar para os jovens de hoje a história de nossa cidade.”
   

Dimas, de São Miguel: alunos também já estão de cabelos brancos.
  
Dimas, a primeira professora de São Miguel, está com 84 anos. Com cabelos claros e porte franzino, veio para a Região Oeste do estado com menos de 30 anos, formando muitos São Miguelenses no Primário e Ginásio (hoje, Ensino Fundamental). “Gosto muito de crianças e, enquanto eu tiver saúde, vou querer conversar com eles,” garante. “Dia desses, uma equipe de reportagem esteve em minha casa e precisava entrevistar um ex-aluno meu. De repente, apareceu um com os cabelos tão brancos quanto os meus, eu fiquei muito feliz.”
   
Luiz Salamí já tinha deixado o Rio Grande do Sul para lecionar em Toledo, chegando a São Pedro do Iguaçu em 1977, no fervor dos conflitos armados de uma família tradicional da região com um banco, envolvendo a todos que ali haviam chegado. Apesar de todo esse clima de instabilidade, ele ficou e ensinou os filhos dos desbravadores da terra a ler e escrever, algo que a maioria dos pais deles ainda não sabia.
    

Salamí é também autor de livro com a história e as "histórias" de Toledo.
   
Começou a revisitar essa história em 2012, recolhendo depoimentos dos pioneiros e compilando-os em um livro lançado em abril. “Nenhum dos alunos de hoje sabia a história da cidade, portanto escrevi o livro para que a história não se perdesse,” conta. “É importante que eles conheçam a origem de São Pedro do Iguaçu, suas histórias e seus contos ficcionais.”
   
Por suas funções de sempre (já diz o ditado, “uma vez professor, sempre professor”), eles são os responsáveis por transmitirem o passado de suas cidades para que os mais novos escrevam seus futuros.

 

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